Há tempo para tudo na vida

Histórias reais e dicas de Ouro no Ouro Negro ao Vivo

Quando tinha 14 anos e frequentava a 7ª classe em Alto-Molocué, na Zambézia, Josefina trocou os estudos pelo casamento. Ela conta que foi um período difícil, porque o marido não a deixava estudar nem trabalhar. Depois de cinco anos de sofrimento, decidiu separar-se e voltar a estudar. Hoje ela já concluiu a 12ª classe, trabalha como locutora e jornalista numa rádio em Quelimane e voltou a casar. Ela encoraja as mulheres a priorizarem os estudos e arranjar emprego, antes de casar.

Esta é apenas uma das mais de 2.000 histórias que, em 2017, foram partilhadas por membros da comunidade no Ouro Negro ao Vivo, um programa radiofónico produzido em 18 línguas moçambicanas pela Rádio Moçambique e pelas rádios comunitárias do Instituto de Comunicação Social (ICS), em parceria com PCI Media Impact, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Semanalmente, cada uma das 32 rádios envolvidas em todo o país convida dois membros da comunidade para contar a sua experiência na primeira pessoa sobre uma das várias temáticas abordadas pelo programa e relacionadas com os direitos e o bem-estar de crianças e adolescentes: saúde, prevenção do HIV, educação, nutrição, casamento prematuro, água e saneamento, entre outros.

A ideia de Ouro Negro é que, em muitos casos, as pessoas aprendem e mudam a partir dos seus próprios erros, mas nem todos precisam errar para aprender. É por isso que o programa partilha histórias de mudança para que os ouvintes aprendam dos erros dos outros. Por exemplo, as meninas de hoje não precisam passar pelo sofrimento que a Josefina passou, podendo aproveitar da lição que a vida lhe deu e que ela apresenta na “dica de ouro” no fim do programa: “há tempo para tudo na vida. Casamento e filhos só depois!”

É o que fez Almeira, outra convidada do programa, quando tinha 16 anos e frequentava a 8ª classe. Um Madjoni-djoni (trabalhador moçambicano nas minas de África do Sul), casado e muito mais velho do que ela, pediu Almeira em casamento aos pais, mas ela recusou porque queria continuar os estudos. Com a ajuda da mãe, que fazia pequenos negócios, ela conseguiu terminar a escola secundária e recentemente licenciou-se em Direito. Hoje ela trabalha como agente de serviço judiciário na cidade de Inhambane, é casada e tem um filho.

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